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Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

28 de abril de 2013

Twitter de CEO é público ou privado?


Ao ser entrevistado pela jornalista Ana Paula Ragazzi sobre a polêmica em torno das twittadas de um famoso CEO, matéria publicada no jornal Valor do  dia 22/4, fui enfático em afirmar que todo Administrador que fala ou escreve sobre a Cia onde atua tem que responder pelo que fala, mesmo que isso aconteça em uma mesa do Cervantes às 3:00 da madrugada. E se o regulador não questioná-lo vira bagunça.

Confesso que recentemente aderi a tal ferramenta da chamada rede social, mas tão somente para divulgar o Blog. Para meu espanto, mesmo sem qualquer divulgação, a tal conta (@bloggovernnaca) já tem vários seguidores, de origens variadas e desconhecidas. Mas o sucesso dessa e de outras ferramentas tem origem nos jovens, que compartilham informações tão inúteis como "estou chegando no show do Motosserra Truck Clube" somente para se manterem em evidencia com os amigos. Pergunto-me se um dia o trafego de informações não irá "explodir", tamanho é o numero de fotos e textos que são compartilhados e curtidos? A conferir....

Criar expectativas somente para alguns investidores é um delito e como tal deve ser tratado. Para o não avisado, o responsável pela divulgação de informações em uma empresa listada é o diretor de relações com investidores (DRI) e as ferramentas são os chamados “fatos relevantes”, os “comunicados ao mercado” e os “avisos aos acionistas”, com depósito das informações nos sites da CVM e bolsa, além do site da Cia. Isso sem falar nos documentos que são publicados obrigatoriamente nos respectivos veículos oficiais de divulgação (jornal definido pelos acionistas em assembleia).  Uma assessoria de imprensa ajuda muito, especialmente se a empresa está nas paginas dos jornais e revistas, como é o caso. Mas imaginar que o investidor vai ser obrigado a seguir nos twitters da vida todos os Administradores de todas as empresas onde investe, alem dos fatos relevantes, é tripudiar do bom senso. 

A preocupação que devemos ter é de reduzir a assimetria de informações e não aumentá-la. Ou será que existe a curiosidade em saber se o magnata vai ao show do "Motosserra Truck Clube" a bordo de sua McLaren F1?

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

21 de abril de 2013

Executivos brasileiros ainda estão entre os mais bem pagos do mundo.

E quem afirma não é um blogueiro carioca, solitário corredor da orla de Copacabana e questionador das remunerações faraônicas pagas no Brasil, mas sim uma renomada consultoria internacional. Alias, é a mesma consultoria utilizada pelos executivos para embasar reivindicações por aumentos salariais, a velha conversa "estamos fora do 3º quartil".... Diz a matéria publicada no Valor do dia 15 que só "perdemos" para a Rússia e Índia quando o assunto é remuneração variável nababesca.

Pois bem, e o que dizer da propaganda do encontro anual de lideranças empresariais em Comandatuba? Publicada em página dupla no jornal Valor do último dia 19, a peça publicitária traduz muito bem o momento da nossa vida corporativa: executivos chegando em jatinhos, lanchas, iates e helicópteros, tudo pago direta ou indiretamente pelos pobres acionistas. E as fotos do encontro serão publicadas nas revistas de fofoca expostas nas salas de espera de médicos e dentistas, um perigo, não por conta dos potenciais sequestradores, mas por chamar a atenção das moças casamenteiras.

É o mesmo CEO que utiliza a liminar do mais paulista dos institutos cariocas para afrontar a Instrução CVM 480, por conta do risco de sequestros. Uma verdadeira piada de mau gosto. Alguém tem que avisar para essa turma que quem está sendo sequestrado hoje em dia é o pobre do funcionário da fábrica/escritório na já manjada "saidinha de banco".

Sr. Acionista: pense bem nisso antes de votar nas assembleias de abril. Que tal propor uma regra estatutária limitando salários de executivos, que não poderiam receber mais do que os pobres acionistas?

“Sonhar não custa nada, o meu sonho é tão real”, já dizia a Mocidade Independente de Padre Miguel.

Abs a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

12 de abril de 2013

Remuneração de executivos: parece que os investidores abriram o olho.



Eis que voltando de muito perto do chamado “fim do mundo”, tendo percorrido 10.621,097 km (10.600 km voando e somente 21,097 km correndo), me deparo com uma notícia animadora no jornal Valor de 08/4 tratando da insatisfação declarada de um sócio de uma gestora de recursos estrangeira com a remuneração variável de um certa empresa listada na Bovespa. E a conta apresentada pelo corajoso investidor é interessante: “noves fora” o desempenho pífio dos papéis no pregão (perda de 36% desde a oferta pública x 54% de ganho do Ibovespa no mesmo período), a justa indignação se baseou no fato dos acionistas terem recebido US$ 86 MM em dividendos/bonificações, enquanto os gulosos executivos embolsaram a faraônica quantia de US$ 137 MM, somente em remuneração variável !!! Para uma empresa sediada nas Bermudas, cujo BDR é espelho de ações sem direito a voto listadas em Luxemburgo (socorro !!! Essa praça é uma referência mundial em termos de governança corporativa?), só resta ao investidor fazer seus pedidos jogando moedinhas na Fontana di Trevi e depois tomar um porre de Fernet Branca nos restaurantes de El Calafate.

Para colocar mais fogo na fogueira, ligo o lança-chamas na direção da falta de transparência na divulgação da remuneração da turma do andar de cima com uma sugestão: que tal a regulação obrigar a divulgação da relação entre a maior remuneração e a remuneração média dos “colaboradores”. Tal relação é objeto de interessantes estudos lá fora, como nos revela Lynn Stout em seu livro "The shareholder value mith" (leitura sugerida por um amigo do Blog): depois que o Congresso norte-americano criou incentivos para o pagamento de remuneração baseado em performance, em 1991, a relação entre a remuneração dos CEOs e a média paga aos empregados em grandes corporações pulou de 140 para 500 em 2003.

Acredito que tal indicador, na forma sugerida, não irá fomentar uma terrível onda de sangrentos sequestros, como deixa a entender perante a Justiça o instituto carioca com sotaque paulista, defensor dos fracos e oprimidos do mercado de capitais, mas servirá para abrir a caixa preta para investidores avaliem quem usa a remuneração como um instrumento legítimo de incentivo e alinhamento de interesses e quem está mais preocupado em encher os bolsos de dinheiro, rapidamente.

E para não ficar só no discurso vou mandar a ideia para a Audiência Pública CVM SDM Nº 03/2013 (contribuições até o dia 14/5). Quem sabe com o "respaldo" dessa visão externa a sugestão não é aceita? “Sonhar não custa nada, o meu sonho é tão real”, já dizia o famoso samba-enredo de 1992 da queridíssima Mocidade Independente de Padre Miguel.

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

6 de abril de 2013

Investidores, escondam suas carteiras !!! Uma nova onda de fusões/aquisições vai começar.

El Calafate, Patagônia (ARG) - A notícia, publicada no jornal Valor do dia 18/2 (Wall Street vê nova onda de grandes fusões e aquisições) é de deixar qualquer homem probo com mais de 40 anos ressabiado, pois o passado recente mostra que a aquisição de hoje tem grandes chances de se transformar na baixa contábil de amanhã.
Assessores de bancos de investimentos regiamente remunerados cuspindo números fantasiosos (o mesmo jornal cita o caso de uma empresa avaliada em 32x o valor do EBITDA !!!), recheados de termos bestas (que tal fazer um carve out ???), ajudarão a compor o cenário, com um final trágico já conhecido: muito dinheiro na conta dos executivos, sacrifício de dividendos para os investidores, e pior, com o desaparecimento de inúmeros postos de trabalho. Sobre o corte imediato de custos após uma grande aquisição, outra notícia do mesmo dia atesta que “a carga pesada de dívida que eles estão assumindo para fazer o negócio de US$ 23 bilhões pode deixá-los com pouca escolha”. Dá até pena dos modernos barões do apocalipse (ou seria uma nova versão do Trio Parada Dura?).
Como diz o ditado: berra a cabra ou berra o bode é o povo que se explode.
Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves