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27 de outubro de 2013

Meritocracia? Ou seria “farinha pouca meu pirão primeiro”?

Assim como os governantes russos se dizem democráticos (entenda em Libertem os 30 - http://www.greenpeace.org), dez entre cada dez empresas listadas, daquelas que patrocinam prêmios de governança e escrevem tratados de sustentabilidade, mas que teimam em afrontar a norma da CVM que trata da divulgação das remunerações mínima, média e máxima da diretoria e conselhos (lista completa na postagem do dia 18/10), também gastam verbo para afirmar que remuneram com base na meritocracia.

Será? Indo contra aqueles que acham que a regra da CVM foi criada somente para satisfazer curiosos e fofoqueiros de plantão, uma análise dos números divulgados pelo recém lançado Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2013 da Revista Capital Aberto desmascara essa turma e deveria ser observada com carinho pelos investidores: uma das campeãs da desfaçatez destina 40% (!!!) da verba global de remuneração somente para DOIS (!!!) administradores. Será que temos um novo Warren Buffet entre nós e ninguém avisou.... Queria essa dupla no ataque do Glorioso. É isso mesmo, da verba global de R$ 63 milhões as maiores remunerações abocanham respectivamente R$ 15,7 milhões (maior remuneração na diretoria) e R$ 10,3 milhões (maior remuneração no conselho). E o pior: tem conselheiro que recebe R$ 335 mil/ano. É um conselheiro série C, daqueles que torcem pelo Mogi Mirim....

Tem outra que pagou 64% da verba global para um único iluminado (R$ 11,5 milhões) !!! Mais intrigante é que se trata de uma empresa que só atua no Brasil e que fatura R$ 1,4 bilhão ano, o que nos faz questionar mais ainda essa “política” de remuneração quando compramos com a remuneração da importante empresa que mata franguinhos mundo afora e fatura R$ 28 bilhões: a maior remuneração da diretoria é de R$ 5,3 milhões, menos da metade.

E para fechar com chave de ouro o festival de barbaridades tem uma empresa que fatura modestos R$ 920 milhões e paga R$ 18,7 milhões para um novo Jack Welch. O que representa 78% (!!!!!) da verba global.

A catucada final, só para contrariar o argumento que convenceu o ingênuo juiz que concedeu a famigerada liminar: certo banco estrangeiro que curte a vice liderança na Fórmula 1 e usa a tal liminar declarou R$ 268,2 milhões como verba global em 2012. Como são 10 conselheiros e 44 diretores podemos concluir (erroneamente) que cada um recebeu aproximadamente R$ 4,9 milhões naquele ano. Ou seja, sob a ótica do astuto sequestrador especializado em ler Formulários de Referência todos são alvo potencial. Informação pública, mesmo com o uso da bolorenta liminar.

Abre o olho investidor, pois seus dividendos estão virando barco de 80 pés em Angra....

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

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