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26 de maio de 2013

Fazendo negócios em países onde a corrupção corre solta.

As dicas estão em uma matéria publicada na Revista Harvard Business Review de outubro/12, que trata da criação de uma empresa de telecomunicações no continente africano:

§  Blindar a gestão local restringindo a alçada para gastos. Toda despesa acima de US$ 30 mil, isso mesmo US$ 30 mil, só era aprovada com autorização de todo o conselho de administração. Como o centro de decisão não era local os corruptos de plantão ficavam desnorteados, sem saber quem pressionar;
§  Eleger conselheiros com conexões continentais, que permitissem a mobilização imediata das autoridades em casos de tentativa de cobrança de propina por parte de agentes governamentais. O escolhido foi um ex-secretário-geral da União Africana, que usava o discurso de que qualquer tentativa de cobrança de propina era uma vergonha para a África;
§  Só participar em processos públicos de concessão de licenças – por conta dessa regra a empresa desistiu de explorar oportunidades na Guiné e em Angola.

Resumo da história: a Celtel, criada por um experiente executivo sudanês com 5 funcionários, US$ 16 milhões de capital e licenças para atuar no Malawi, Zâmbia, Serra Leoa e Congo, foi vendida antes de abrir o seu capital em Londres por US$ 3,4 bilhões para uma empresa do Kuwait, tendo alcançado um faturamento de US$ 614 milhões, investimentos de US$ 750 milhões e 5,2 milhões de clientes. E um lucro líquido de US$ 147 milhões !!! Números impressionantes para quem acha que é impossível atuar com seriedade naquele continente.

O mais irônico da história é que os mesmos bancos que haviam exigido todos os estoques de ativos como garantia de uma merreca de empréstimos (a juros escorchantes), meses antes da venda da Cia., foram os que financiaram a empresa do Kuwait na aquisição, tendo como única garantia exatamente os mesmos ativos.

Para reflexão gostaria de apresentar um trecho da música Miséria, dos “Titãs”:
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Índio, mulato, preto, branco
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Miséria é miséria em qualquer canto
Filhos, amigos, amantes, parentes
Riquezas são diferentes.

Mas já passou da hora de caçar os bilhões desviados por ditadores africanos para paraísos fiscais. E fazer algo concreto para mudar aquela realidade assustadora, sem pensar somente em quantos aparelhos celulares serão vendidos e quantas obras serão feitas.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

2 comentários:

  1. Começamos bem a semana com essa matéria Renato. Afinal, há muita coisa importante a ser criada naquele continente com respeito ao povo de lá.

    Abraço

    Pacheco

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  2. Boa matéria Renato,

    Algumas práticas poderiam ser usadas por aqui também, quem sabe não teríamos campanhas eleitorais mais enxutas. Afinal de contas:

    "Miséria é miséria em qualquer canto"


    Abs,

    Denys Roman
    http://www.linkedin.com/in/denysroman

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