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2 de março de 2013

Os comitês de assessoramento estão sendo vulgarizados?


Por muito tempo defendi e continuo defendendo a criação de comitês de assessoramento nos conselhos de administração, especialmente em grandes organizações (acreditem, teve CEO amigo do ex-presidente que resistiu até quando pode). Por anos e anos de observação em posição privilegiada fui levado a acreditar que assuntos complexos em grandes corporações, como questões financeiras (imagina um orçamento ou a consolidação da posição de caixa de uma empresa com controladas em 15 diferentes países !!!) e recursos humanos (incluindo a sucessão de executivos), deveriam ser analisados mais detidamente em um fórum apartado do conselho, com a emissão de opiniões conclusivas para suportar decisões futuras. Solicitar que um comitê de auditoria avalie o cumprimento de metas para pagamento de bônus faz todo o sentido e um dia de reunião, mesmo que mensal, não é suficiente para discutir temas tão complexos.

Mas parece que uma boa idéia está sendo utilizada como remédio para todos os males. E assim surgem comitês genéricos, que ficam de prontidão para resolver opinar sobre qualquer problema societário – parece ortopedista de emergência, que trata desde lombalgia até fascite plantar.

Recentemente a imprensa noticiou que uma proeminente empresa franco-brasileira criou um comitê de governança para, dentre outras atribuições, “promover as melhores práticas de governança e processos de governança corporativa; zelar pelo bom funcionamento do conselho de administração, da diretoria executiva e dos órgãos auxiliares da administração e pelo relacionamento entre tais órgãos e os acionistas”. Ora bolas, se o conselho de administração não está funcionando bem a culpa é de quem está lá, especialmente do seu presidente (que geralmente recebe uma remuneração diferenciada)... Será que precisa de um comitê permanente para tratar de “relacionamentos”? Tratar de relacionamentos com sócios? Certamente não estão falando de acionistas minoritários... Será um comitê mediador de conflitos dos sócios controladores, mas pagos por todos os sócios? Eles é que passem um final de semana trancados com seus advogados em um resort localizado em alguma ilha isolada da Polinésia Francesa, sem celular, e resolvam as questões mal resolvidas (isso é que é castigo hehehe...). Saiam na porrada, contratem o mediador que trabalha na Globo domingo à noite se necessário for, mas não criem um comitê permanente do conselho pago por todos os sócios com essa finalidade. Corre-se o risco de vulgarizarmos uma ferramenta tão importante para a Governança Corporativa.

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

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