Boas-vindas

Caro visitante,
A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

28 de dezembro de 2013

2013 termina com boas notícias na área de regulação.

A redução do índice de absolvição nos processos julgados pela CVM em 2013, de 70% para 40%, traz um alento para aqueles que acreditam que os “trombadinhas” do mercado de capitais devem colocar as “barbas de molho” em 2014 (reportagem do jornal Valor do dia 27/12/2013: “CVM, sob Pereira, muda estratégia e diminui absolvições”).

Se somarmos a isso o fato de alguns julgamentos recentes conjugarem multas com as tão temidas inabilitações, temos o cenário perfeito para intimidar quem acha que qualquer tipo de infração pode ser resolvido com um “termin de compromisso” de alguns milhões, como a turma que sonha grande (você pagaria R$ 15 milhões se tivesse convicção da inocência?).


Por fim, ainda que algumas punições possam parecer brandas demais, como a da quadrilha do banqueiro baiano que financiou famosas empresas de publicidade de MG, essa nova postura, com a “limpeza de prateleira”, enterra as críticas infundadas publicadas na matéria da revista Exame “A CVM é um xerife desarmado e anacrônico”.

 

Que venha 2014, tendo como lema a frase de Robert Khuzami, diretor de fiscalização da SEC (2010): "A dissuasão funciona no mundo do colarinho branco". Pau neles CVM !!!


Abs a todos e um 2014 com muitas alegrias.
Renato Chaves


P.S.: o número de visitantes do Blog passou de 60.000.... Não sei se é muito ou pouco, mas agradeço o carinho e a audiência dos leais leitores.

21 de dezembro de 2013

Multa por falha de conduta/informação privilegiada de US$ 30 milhões !!!

Calma leitores, não é pegadinha nem presente de Papai Noel para quem defende a caça aos bandidos no mercado de capitais.

E é claro que isso não aconteceu aqui. Reportagem de canto de página no jornal Valor do dia 4/10 informa que o Citigroup (olha ele aí de novo gente...) foi multado por falha de conduta de um de seus analistas (da subsidiária em Taiwan), que divulgou em relatório para um grupo de investidores uma pesquisa confidencial sobre uma empresa fornecedora da Apple. Repito: falha de conduta. O cara não negociou diretamente: não obteve benefício pessoal ou para a sua instituição, mas levou uma bela porrada do regulador.

E por aqui? Recentemente saiu uma notícia, pouco difundida é verdade, sobre uma situação semelhante: um relatório de um analista de um importante banco mencionava uma conversa reservada com um conselheiro (independente) de uma importante empresa listada sobre questões operacionais que teriam forte impacto no caixa e, portanto, eram de interesse do mercado. Tal relatório foi repassado por email para um grupo seleto de clientes e, coincidência ou não, os papéis dispararam naquele dia, com as ações ON negociando o triplo da média diária do ano e as ações PN o dobro. Será que a multa vai chegar a R$ 30 mil? Quem sabe um terminho de compromisso?

Como diria Robert Khuzami, diretor de fiscalização da SEC (2010): "A dissuasão funciona no mundo do colarinho branco". Ou seja, o regulador tem que “pegar pesado”. Nada de terminhos de compromisso para bandidos engravatados. Nos dias de hoje até monge tibetano já perdeu a serenidade.

Abraços a todos, uma boa semana e boas festas,

Renato Chaves

14 de dezembro de 2013

Liminar contra o Formulário de Referência é desmascarada.

O jornal Valor revelou o que todos já desconfiavam: “diretores financeiros ganham mais no Brasil: pesquisa com 25 mil executivos mostra que salário de brasileiros está entre os maiores do mundo” (dia 11/12/2013).

A pesquisa, feita pela consultoria Robert Half, aponta uma remuneração mínima de US$ 12.870 e máxima de US$ 34.320 (nos EUA é de somente US$ 17.000 - valores mensais brutos). Desconfio que no caso de empresas de capital aberto esses valores devem dobrar, pelo menos.

O dia para divulgação da pesquisa não poderia ser mais apropriado: dia 11/12, Dia Mundial das Montanhas.... Remuneração nas alturas.

E tem CEO que aparece em página dupla do Valor, foto de corpo inteiro, e ainda fala de segurança. Uma piada.

Salários inflados pela complacência/falta de ativismo dos acionistas ou será culpa da Copa do Mundo?

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

9 de dezembro de 2013

Atenção meliantes de plantão: o Xerife não está dormindo.

Ainda que investidores revoltosos tentem culpar o regulador e a tal governança corporativa por suas escolhas infelizes e os termos de compromisso representem uma "rota de fuga" para espertalhões e seus sábios advogados, o fato é que algo está mudando. E para melhor.

Quem leu os resultados dos julgamentos do dia 26/11 ficou com a impressão que a timidez do regulador no uso das inabilitações foi deixada de lado. Inabilitação + multas = educação do mercado. Essa é a fórmula para impor respeito, especialmente no combate ao que a AMEC intitulou o "câncer" do mercado de capitais (em "O imperador de todos os males" - opinião AMEC de 12/08/2013 em http://www.amecbrasil.org.br/o-imperador-de-todos-os-males/): os crimes de insider trading.

Para esses pilantras 10 anos de inabilitação é pouco, pois equivale a um  período sabático para aperfeiçoar táticas criminosas.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

29 de novembro de 2013

Limite de remuneração para CEO? Se a moda pega vai ter fila no Eisntein....

A Suíça bem que tentou, mas o pragmatismo falou mais alto.... Já pensou perder filiais de grandes instituições financeiras que usam o bucólico país como lavanderia?

A tentativa de limitar a remuneração dos executivos a 12 vezes o maior salário em relação ao menor, exposta na reportagem de 25/11/2013 do jornal Valor (Suíça rejeita limitar salário de executivos), foi rejeitada em plebiscito por 65% dos votantes.

E se fosse no Brasil? Utilizando as informações do excelente Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto (que engloba as 100 empresas de capital de aberto mais líquidas – link no final do Blog) fiz uma conta simples, usando como salário médio (não usei mínimo !!!) o valor de R$ 3 mil, com 16 salários (13 + 3 de remuneração variável ou R$ 48 mil/ano). O resultado é estarrecedor:

·         Excluídas as 30 empresas que escondem informações (lembram da lista negra publicada na postagem de 18/10/2013?), nada menos que 21 empresas estariam com uma relação superior a 100 vezes !!

·         Algumas chegariam ao número absurdo de mais de 200 e até 300 vezes, como a empresa das loiras geladas (327), uma certa bolsa de valores (231), uma outra incorporadora que tem nome que parece ingrediente de salada do Cafeína (240) e uma que negocia planos de saúde (ou algo parecido com isso) com 390.

Mas como por aqui o investidor é cego a farra continua indefinidamente....

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

24 de novembro de 2013

Quanto vale um CEO? O efeito nefasto dos supersalários.

Um amigo do Blog me presenteou com dados de uma pesquisa publicada na Bloomberg Business Week de 20/2/2013 que revelam a relação com a média de salários de algumas grandes empresas. Os números impressionam (ref. 2012):

·         RONALD JOHNSON – J. C. Penney – US$ 53,3 milhões (1.795 vezes)
·         MICHAEL JEFFRIES – Abercomble -  US$ 48,1 milhões (1.640 vezes)
·         DAVID SIMON – Simon Property -  US$ 137,2 milhões (1.594 vezes)
·         HOWARD SCHULTZ – Oracle -  US$ 96,2 milhões (1.297 vezes)

Será que a era dos “CEOs Rambos” ainda não acabou? Será que um desses “iluminados” é capaz de gerar mais riqueza para uma dessas empresas do que um bom profissional de P&D? Esses profissionais se sentirão estimulados com uma política de remuneração de privilegia uma casta? Ou será que o dia deles é de 48 horas e por isso eles merecem ganhar mais de 1.000 vezes a remuneração média das empresas que presidem? Depois reclamamos dos políticos brasileiros...

E aqui no Brasil? Estou fazendo umas contas com base no Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto e parece que teremos surpresas desagradáveis.

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

17 de novembro de 2013

Está procurando um super presidente de conselho de administração?

Não precisa ligar para o Warren Buffett.... Uma leitura atenta do Anuário de Governança Corporativa da Revista Capital Aberto (dados de 2012 - link no final do Blog) nos revela que existem 6 “iluminados” nessa condição, a saber:

·                 Uma certa empresa que monopoliza o mercado de cerveja no Brasil pagou R$ 10,338 MM/ano;
·                 outra que produz ônibus com sede no sul desembolsou R$ 4,410 MM/ano;
·                 uma X da vida pingou R$ 3,112 MM/ano na conta do superconselheiro;
·                 uma dessas que é dona de shoppings centers e tem sede no Rrrrrio de Janeiro foi generosa e pagou R$ 2,080 MM/ano;
·                 uma empresa de seguros: R$ 7,821 MM/ano; e
·                 uma fabricante de carrocerias/peças automotivas também sulista (R$ 2,542 MM/ano).

Partindo do pressuposto que um conselheiro de administração está afastado da gestão e que, portanto, dedica somente parte do seu tempo à Cia., não vou entrar no mérito se o “iluminado” merece R$ 10 milhões/ano para atuar como conselheiro. A prática diz que a remuneração “normal” de um conselheiro de grande empresa (faturamento acima de R$ 1 bilhão/ano) é de R$ 18 mil/mês. Mas quando o conselho está “infestado” de conselheiros eleitos pelos controladores a remuneração pode chegar a R$ 50 mil/mês. Mas nunca chega a milhões por ano !!!

Causa estranheza o fato dessas empresas oferecerem remunerações “neymarianas” somente para os presidentes dos conselhos de administração, que coincidentemente são controladores ou eleitos por esses grupos. Afinal, o que podemos pensar dos subsubsubconselheiros, que receberam respectivamente R$ 335 mil (empresa de cerveja), R$ 1,174 MM (ônibus), R$ 70 mil (X), R$ 108 mil (shopping), R$ 54 mil (seguros) e R$ 188 mil (carrocerias) no ano? Dedicam pouco tempo aos conselhos? Contribuem pouco e por isso ganham uma remuneração simbólica quando comparada à remuneração dos “iluminados”? Será somente uma “verba paletó”, para sair bonitinho na foto do Relatório Anual?

Queridos leitores e investidores, isso não cheira a distribuição disfarçada de lucros?

Essa situação me faz lembrar o trecho do livro “Chatô – O Rei do Brasil”: “Mas eu fiz exatamente como me mandaram. Há um documento oficial lá com o caixa, não fiz nada sem contabilização”. Ao retornar à Tesouraria dos Associados o diretor encontra um pedacinho de papel onde estava escrito à lápis: “Levei tudo. Assinado, Assis Chateaubriand”.

É isso: tem gente passando no caixa das empresas e levando tudo, com a complacência dos investidores que lavam as mãos aprovando a verba global na assembléia anual.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

11 de novembro de 2013

Quanto vale a reputação?

O sambinha do irreverente bloco de rua carioca “Charme da Simpatia”, cantarolado na década de 80, dizia assim:

“Eu vesti roupa o ano inteiro,
Eu fui direito,
Tive até reputação.... reputação !!!”

Agora, queridos leitores, compare o singelo sambinha com a seguinte manchete: “J.P. Morgan tenta recuperar reputação com acordo histórico” (jornal valor do dia 21/10/2013). Valor do “acordo”: US$ 14 bilhões (bilhões mesmo !!!) para “resolver acusações civis apresentadas pelo Departamento de Justiça e a Agência Federal de Financiamento Habitacional dos EUA”. Tradução para o termo “resolver”: encerrar/engavetar os processos, sem confissão de culpa....

E o que o caro leitor acha do caso de uma renomada empresa de auditoria que pagou US 99 milhões para “encerrar uma ação coletiva que acusava a firma de auditoria de enganar investidores ao aprovar os balanços do banco Lehman Brothers antes de sua quebra, em 2008” (jornal Valor de 21/10/2013)? O comercial das Casas Bahia diria: tá barato pra caramba.

E, por último, a manchete que ajuda a pavimentar todo tipo de acordo para proteger essas grandes instituições e seus dirigentes arrogantes, incompetentes e, acima de tudo, gananciosos: “Reputação é valor jurídico subjetivo, mas deve ser verificado com rigor” (jornal Valor do dia 5/11). Hahahahaha... Mas quem vai verificar, cara pálida? O mesmo procurador que propõe um acordinho de milhões que compra de volta a reputação? E pela lei de mercado, se alguém compra é porque tem alguém para vender....

É melhor mesmo ir junto com o Charme da Simpatia, cujo trecho final do sambinha dizia assim:

“E se você não aceitar,
Essa minha resolução,
Deixe isso para lá
Aproveite o visual,
Que eu tô muito doidão: quero ficar peladão”.

Pois é, os reis estão todos nus.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

2 de novembro de 2013

Remuneração variável agressiva, loucuras para fazer EBITDA e os fiscais do ISS...

Das empresas que mencionei na última postagem, aquelas que abrigam as versões tupiniquins de Jack Welch e Warren Buffett, a parte variável representa de 69 a 80% da remuneração total das diretorias !!! (segundo dados coletados no excelente Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2013 da Revista Capital Aberto)

Atrevo-me a dizer que é incentivo demais. Dessa forma a tendência é ser arrojado para garantir alguns milhões na curta passagem pelas empresas, na linha “farinha pouca meu pirão primeiro”.

E não é de se estranhar que uma empresa de capital aberto seja alimentadora do “ISSduto” revelado pela imprensa. Tudo feito por SPEs (sociedades de propósito específico controladas pela incorporadora corruptora), ou seja, com cortina de fumaça para encobrir o desvio.

Outras virão: é uma questão de tempo.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

27 de outubro de 2013

Meritocracia? Ou seria “farinha pouca meu pirão primeiro”?

Assim como os governantes russos se dizem democráticos (entenda em Libertem os 30 - http://www.greenpeace.org), dez entre cada dez empresas listadas, daquelas que patrocinam prêmios de governança e escrevem tratados de sustentabilidade, mas que teimam em afrontar a norma da CVM que trata da divulgação das remunerações mínima, média e máxima da diretoria e conselhos (lista completa na postagem do dia 18/10), também gastam verbo para afirmar que remuneram com base na meritocracia.

Será? Indo contra aqueles que acham que a regra da CVM foi criada somente para satisfazer curiosos e fofoqueiros de plantão, uma análise dos números divulgados pelo recém lançado Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2013 da Revista Capital Aberto desmascara essa turma e deveria ser observada com carinho pelos investidores: uma das campeãs da desfaçatez destina 40% (!!!) da verba global de remuneração somente para DOIS (!!!) administradores. Será que temos um novo Warren Buffet entre nós e ninguém avisou.... Queria essa dupla no ataque do Glorioso. É isso mesmo, da verba global de R$ 63 milhões as maiores remunerações abocanham respectivamente R$ 15,7 milhões (maior remuneração na diretoria) e R$ 10,3 milhões (maior remuneração no conselho). E o pior: tem conselheiro que recebe R$ 335 mil/ano. É um conselheiro série C, daqueles que torcem pelo Mogi Mirim....

Tem outra que pagou 64% da verba global para um único iluminado (R$ 11,5 milhões) !!! Mais intrigante é que se trata de uma empresa que só atua no Brasil e que fatura R$ 1,4 bilhão ano, o que nos faz questionar mais ainda essa “política” de remuneração quando compramos com a remuneração da importante empresa que mata franguinhos mundo afora e fatura R$ 28 bilhões: a maior remuneração da diretoria é de R$ 5,3 milhões, menos da metade.

E para fechar com chave de ouro o festival de barbaridades tem uma empresa que fatura modestos R$ 920 milhões e paga R$ 18,7 milhões para um novo Jack Welch. O que representa 78% (!!!!!) da verba global.

A catucada final, só para contrariar o argumento que convenceu o ingênuo juiz que concedeu a famigerada liminar: certo banco estrangeiro que curte a vice liderança na Fórmula 1 e usa a tal liminar declarou R$ 268,2 milhões como verba global em 2012. Como são 10 conselheiros e 44 diretores podemos concluir (erroneamente) que cada um recebeu aproximadamente R$ 4,9 milhões naquele ano. Ou seja, sob a ótica do astuto sequestrador especializado em ler Formulários de Referência todos são alvo potencial. Informação pública, mesmo com o uso da bolorenta liminar.

Abre o olho investidor, pois seus dividendos estão virando barco de 80 pés em Angra....

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

18 de outubro de 2013

Empresas inimigas da transparência: lista atualizada.

Algumas patrocinam prêmios de governança, outras ganham troféu transparência e tem aquelas que se declaram politicamente corretas – são as amigas das crianças, do hospital de Botucatu, etc.

Mas o recém lançado Anuário de Governança Corporativa das Companhias Abertas 2013 da Revista Capital Aberto traz de forma organizada informações que desmascaram as empresas que teimam em afrontar a norma da CVM que trata da divulgação das remunerações mínima, média e máxima da diretoria e conselhos. O objetivo da lista não é denunciar nada, até porque as informações são públicas, mas simplesmente facilitar a vida dos leitores do Blog com a consolidação das informações. A leitura completa do excelente Anuário é imprescindível para todo ativista de governança.

Considerando que uma certa liminar obtida por um certo Instituto carioca busca “amparar” executivos financeiros associados a este Instituto, liminar esta que já foi morta e ressuscitada por instrumentos nebulosos de nossa Justiça, a utilização dessa falsa proteção pelas empresas é espontânea. Prova disso é que somente 30% das empresas pesquisadas escondem as informações (exatamente 30 de um total das 100 empresas com ações mais negociadas no mercado). E o pior é que o uso da liminar não é, via de regra, discutida nos conselhos, sendo definida pelos diretores, os verdadeiros interessados em esconder informações (há rumores de casos de ocultação de remuneração para evitar pensão alimentícia...).

Mas qual a relevância desse tipo de informação? Perguntem para o investidor que aceita pagar incríveis R$ 7,8 milhões para um presidente de Conselho (controlador é claro !!!)... Ou que tal R$ 18 milhões para um CEO de uma empresa que não fatura nem R$ 1 bilhão? Mal comparando, a maior remuneração na diretoria de uma certa empresa do ramo de alimentação que fatura R$ 28 bilhões não passa de R$ 6 milhões.... E o presidente do conselho que ganha o dobro do CEO? Parece razoável? Ou será que o CEO é uma rainha da Inglaterra? Tem ainda a empresa que pagou R$ 7 milhões para o CEO e quebrou no ano seguinte... Resumindo: já passou da hora do investidor abrir o olho....

Eis a lista (por ordem alfabética):

1.   ALL
2.   B2W
3.   BR Malls
4.   Bradesco
5.   Bradespar
6.   Braskem
7.   Brookfield
8.   CCR
9.   Cielo
10.               Cosan
11.               CPFL Energia
12.               CSN
13.               Duratex
14.               Embraer
15.               Even
16.               Fibria
17.               Gerdau
18.               Gol
19.               Iguatemi
20.               Itaú Unibanco
21.               Lojas Americanas
22.               Minerva
23.               Multiplus
24.               Oi
25.               Pão de Açúcar
26.               Santander Brasil
27.               Suzano Papel
28.               Telefônica Brasil
29.               Tim Participações
30.               Vale

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

12 de outubro de 2013

Insiders: a patifaria é transnacional.... Mas qual a origem do vazamento?

Contas em Cayman, operador na Suíça, empresa listada nos EUA em processo de venda e investidores brasileiros passeando na Disney: a pouca vergonha não respeita fronteiras. Mas quem vazou a informação para os “meninos”? O operador do banco-lavanderia suíça? Algum advogado que estava assessorando compradores ou vendedores (não vale colocar a culpa na estagiária do escritório...)? Ou será que eles eram amigos dos senhores que sonham grande? Perguntas sem respostas, pois o acordinho safado de US$ 5 milhões joga tudo para debaixo do tapete, no esgoto do mercado de capitais.

Mas apesar de o processo ter sido engavetado com um acordinho na SEC ainda existe a esperança que algum juiz federal norte-americano cancele essa patifaria oficializada, a exemplo do que aconteceu no acordo do Citi de US$ 250 milhões.

Você investe na empresa que vende lingerie de mulher pra mulher? Cuidado, os meninos podem virar conselheiros amanhã, já que não foram inabilitados. Continuam livres para brincar com o Pateta na Disney e atuar no mercado de ações.

Por fim, parece que o câncer do insider se alastra sob a complacência das nossas "otoridades", no melhor estilo Odorico Paraguaçú. Enquanto isso a nossa Ana Paula é tratada como pirata e os clubes russos se especializam em lavagem de dinheiro.

Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

5 de outubro de 2013

Pela diversidade ampla, geral e irrestrita !!!

Conselhos compostos por senhores sisudos, engravatados, ternos de corte italiano, gravata Versace, X6 na garagem, Rolex no pulso..... Mas infelizmente esses senhores foram criados/educados para modelos de negócios que estão sendo destruídos rapidamente.

Chegou a hora de radicalizar. Não sou nenhum garoto e confesso que fiquei besta, como dizem os mineiros, ao participar de um conselho comandado por um empreendedor de pouco mais de 40 anos. Não adianta querer estudar mais, passar férias trancado na Columbia University, pois o modelo mental dessa geração é outro.

O resultado da última enquete do Blog, com 60% de respostas contrárias ao limite de idade em conselhos, além de debates acalorados em fóruns de ativistas, me levou a concluir que nossos conselhos estão ficando bolorentos: está na hora de radicalizar. Chega da maioria de senhores engravatados (mesmo num calor de 40°C), com MBAs em Harvard, Yale e o escambau... E diversidade não é criar quotas para mulheres nos conselhos (e por favor deixem seus elegantes terninhos masculinizados em casa...): temos que ter diversidade de origem de verdade, como executivos formados em escolas públicas. Novas experiências, novas visões de mundo, pois existe vida fora da Escola Britânica, do São Bento (eca) e do Dante Alighieri. Alias, se a sua empresa vende produtos no varejo provavelmente seus conselheiros não entendem nada desse mercado, pois nunca foram “clientes”. Também não adianta muito trocar o conselheiro bigodudo pela perfumada portadora de uma bolsa Jennifer/Tom Ford (não conheço a distinta, vi na web... US$ 38 mil), afinal todos foram formados na mesma escola, ainda que em anos diferentes.

Aliás, a nossa educação melhoria muito se os políticos fossem obrigados a matricular seus filhos em escolas públicas desde o ensino fundamental.


Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

29 de setembro de 2013

É sonho grande pensar com um insider preso?

O artigo publicado no jornal Valor do dia 25/9 (pg E2 – Crise na governança corporativa?), de autoria do 1º presidente da CVM Roberto Teixeira da Costa, traz uma resposta muito serena/ponderada às críticas que recaem sobre as práticas de governança corporativa diante do fracasso de certos negócios. Concordo plenamente com os argumentos, muito em linha com minha postagem do dia 06/07/2013 (Perdeu dinheiro com X, Y ou Z? Não adianta culpar a governança corporativa...) e da entrevista que concedi à rádio CBN no mesmo dia 06/07 (link no final do blog). Mas um aspecto me chamou a atenção no artigo: a observação sobre o papel da CVM em evitar o uso indevido de informações privilegiadas (insider trading). Ainda que não reste dúvida sobre a responsabilidade do regulador no cumprimento dessa "atividade básica", como diz o texto, o uso indiscriminado dos termos de compromisso para o "engavetamento" de processos sancionadores transmite um recado contraditório ao mercado. Isso porque, desde  longínquo caso do pessoal que sonha grande (terminho de R$ 15 milhões), passando pelo recente caso da turma de infraestrutura (terminho de R$ 4 milhões) até chegar no vergonhoso acordo de R$ 39 mil (isso mesmo, R$ 39 mil), todos no mercado sabem que insider trading virou uma infração vulgar, alvo de uma negociação em torno de valores monetários e não valores éticos, no melhor estilo Casas Bahia: quer pagar quanto?

Já fiz o teste quando um amigo pediu minha opinião sobre uma proposta de terno de compromisso. Não era um caso de insider trading é claro (ele não seria meu amigo) e sim um caso de pronunciamento em período de silêncio. Sugeri que ele ofertasse R$ 30 mil para fechar em R$ 50 mil..... Bingo, nem um centavo a mais. 

Volto a afirmar: o termo de compromisso é uma excelente ferramenta para tratar de  infrações sem gravidade ou falhas operacionais, desde que não a (falta de) ética do agente não seja o foco do processo. Já os bandidos merecem o mesmo destino do famoso insider do mercado norte-americano - Raj Rajaratnam: US$ 10 milhões de multa, inabilitação e 11 anos de cadeia. Parece simples, não?

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

22 de setembro de 2013

A Lei 12.850, a formação de quadrilha no mercado de capitais e os saques contra fundos de pensão.

Pois é, com a nova Lei deixa de existir o crime de formação de quadrilha: agora é associação criminosa.

Para o povão pouco importa. Uma leitura atenta dos processos CVM 13/05, 05/2008, 2009/8224, 30/05, RJ 2009/5519, 22/94 e 21/06 nos fazem concluir que as quadrilhas que atuam no mercado de capitais não usam armas, granadas, etc.. Sob essa ótica o termo “associação criminosa” é bem palatável, pois eles só usam computadores e canetas Mont Blanc.

Vejamos a descrição sobre o “modus operanti” de acusados de operações fraudulentas em um desses processos, cuja vítima foi um importante fundo de pensão com sede no centro da Cidade Maravilhosa:

·         segundo a acusação, o artifício se dava da seguinte forma: o operador da Corretora sabia da estratégia diária do Fundo (apenas compra ou apenas venda em um determinado dia, já que o Fundo não podia realizar day-trade), e abria uma série de ordens conforme tal estratégia, especificando-as na conta 999.999. Após a realização de certa quantidade de ordens e do andamento do mercado, já era possível saber se a realização de negócios na posição oposta, na mesma quantidade, formariam day-trades de resultado positivo.
·         Assim, as operações contrárias à estratégia do Fundo também eram inicialmente especificadas na conta 999.999. Posteriormente, operações de compra e de venda de igual quantidade de contratos eram reespecificadas a um mesmo comitente, que passava a ser titular de um day-trade vencedor.
·         Observe-se que, até então, os negócios de compra (ou venda) registrados na conta 999.999 faziam parte do cumprimento do mandato do Fundo, isto é, seriam reespecificados para o Fundo. Entretanto, alguns dos negócios de compra (ou venda) realizados pela Corretora foram destinados a determinados comitentes, juntamente com operações de venda (ou compra), de mesmo vencimento e quantidade, formando-se, portanto, day-trades positivos.

O índice de acerto dos meliantes variava entre 95% e 100%, algo de fazer inveja ao Sr. Buffett.

E o mais preocupante: os acusados foram condenados a pagar singelas multas, mas sem que tenham sido inabilitados. Ou seja, continuam livres para “atuar” no mercado.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

13 de setembro de 2013

Liberou geral: o caráter “educativo” de um acordo de R$ 4 milhões.

Cadê o Ministério Público? Ou seria melhor o coro de Julinho da Adelaide/Chico Buarque em Acorda Amor: “chame o ladrão, chame o ladrão”?

O engavetamento do processo RJ2012/2833 é vergonhoso. Uma desmoralização para os técnicos que apuram a “roubalheira” e vêem o processo ser jogado no lixo. Ficha limpa para um acionista controlador e um conselheiro que negociam ações com informações privilegiadas. Não estamos falando do garçom do Figueira Rubayat que ouviu uma conversa na mesa do bar e comprou umas ações... Repito, são ADMINISTRADORES e o sócio CONTROLADOR !!! Algo comparável com o guarda de trânsito gente boa do sinal em frente ao Colégio Sacré-Couer de Marie roubar doces das criancinhas usando seu revólver. Bandido qualificado, fardado. Inabilitação? Esqueçam. 

Anotem o nome dos signatários do vergonhoso terminho de compromisso. 

Quem paga R$ 4 milhões para engavetar um processo é porque tem a certeza da culpa.

Êta mercadinho safado esse nosso !!! Dá nojo....

Abraços a todos e uma boa semana,

 Renato Chaves

8 de setembro de 2013

Diversidade? Cadê?

Sobram Pedros, Guilhermes, Antônios e Robertos. Senhores sisudos, engravatados que supostamente entendem de tudo, até de cosméticos. São elegantes, com seus ternos bem cortados e suas gravatas caras (para que servem as gravatas mesmo em um país tropical?), mas nunca usaram um batom. A verdade é que faltam Marias, Anas, Letícias e Julianas nos cargos gerenciais e nos conselhos de administração das Naturas da vida, assim como faltam negros. 

Que tal incluirmos no Formulário de Referência a exigência de apresentação do percentual de mulheres e negros em cargos de chefia? Só depende da CVM...

Ao invés de impormos cotas a mudança se daria pelo constrangimento, onde as empresas que usam o termo diversidade levianamente seriam desmascaradas. A idéia pode ser boa, mas sempre pode aparecer um instituto carioca “espírito de porco” com uma liminar judicial para proteger quem não precisa de proteção e esconder o que não deve ser escondido.

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

31 de agosto de 2013

Sustentabilidade: desmascarando as empresas enganadoras.

O relatório da BM&FBovespa traz uma lista das empresas que elaboram relatórios de sustentabilidade (em http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/mercados/download/Lista-empresas-sustentabilidade.pdf).

Elaborado no formato “pratique ou explique”, o relatório traz desculpas esfarrapadas de empresas que usam o termo “sustentabilidade” à exaustão, sem qualquer compromisso com a verdade.

Que tal os investidores começarem a ameaçar essas empresas com a saída do papel? Não é só elaborar o relatório, tem que provar que faz algo diferenciado, medidas efetivas, duradouras, que reflitam em processos produtivos com menos impacto....

O Encontro Previ de Governança Corporativa, realizado nos dias 26 e 27/8, trouxe bons exemplos. Mas também nos fez pensar que, para alguns CEOs, é mais importante crescer no curto prazo, adquirindo concorrentes, do que criar bases sólidas para um crescimento regular e constante. Felizmente parece que os “CEOs rambos” são uma raça em extinção (oh raça !!!).

Próxima tarefa: criar uma lista negra das empresas que sonegam informações sobre remuneração de executivos, se aproveitando sorrateiramente de uma liminar de um instituto chapa branca. Não vale só reclamar do sigilo nos votos para o presidiário-deputado Donadon.

Abraços a todos e uma boa semana,

 Renato Chaves

24 de agosto de 2013

Os conselhos de administração constroem estratégias de fato?

Existe o sentimento que os conselhos de administração no Brasil não formulam estratégias. Ou seja, os conselhos simplesmente analisam e votam as estratégias formuladas pela Diretoria.

Seria algo parecido com o que Ram Charan classifica de conselho de administração ritualista. No linguajar popular, o conselho “come na mão” dos executivos.

Hipoteticamente, a estratégia de diversificar geograficamente a produção em uma mineradora (África por exemplo) ou investir em uma nova linha de aviões (aviação executiva por exemplo) seriam estratégias nascidas das mãos dos executivos, pois os conselhos não teriam visão/conhecimento de mercado suficientes de mercado para construir tais estratégias. São os executivos que criam idéias ufanistas de comprar empresa na Suíça, por exemplo, sem que o conselho tenha dado a orientação estratégica para que a empresa procurasse ativos para comprar (qualquer semelhança com a realidade é obra de novela de TV)...

Pense nisso antes da sua próxima reunião....

Abraços a todos e uma boa semana,

Renato Chaves

16 de agosto de 2013

Cobramos ética na política, mas e no mercado de capitais?

Imagine a cena de um certo prefeito paulista (atual deputado federal) desviando recursos de uma obra superfaturada para uma conta em um paraíso fiscal britânico. Agora imagine o policial militar que usa a informação privilegiada da realização de uma blitz para proteger um famoso traficante. Repulsivo, vocês não acham?

O uso do cargo para a prática de crimes é repudiado por todos os homens de bem, menos no mercado de capitais. Sim, isso mesmo, pois verdadeiros bandidos usam o cargo que ocupam para realizar operações com ações e todos acham normal que esses “elementos” (é assim que supostos meliantes são tratados nos meios policiais) assinem termos de compromisso com a CVM para engavetar as acusações. Sem inabilitação eles continuam livres para atuar, deixando os investidores tão desprotegidos quanto os cidadãos que pagam impostos.

A aceitação de mais um “terminho” de compromisso no dia 25/6 traz o perdão, sem confissão de culpa, a um Gerente de Relações com Investidores e um Analista de Relações com Investidores que foram acusados de uso de informações privilegiadas na negociação de ações da empresa onde trabalhavam. Na mesma linha deveríamos achar normal o ex-prefeito propor um termo de compromisso para apagar os desvios passados e continuar a atuar na política livremente.

Como diria Milton Nascimento em “Trem de doido”:
Nada a temer, nada a combinar
na hora de achar o meu lugar no trem
e não sentir pavor dos ratos soltos na praça.

Que tal copiarmos o mercado norte-americano e mandarmos meia dúzia de insiders para a cadeia? Pelo menos inabilitá-los para atuar no mercado... Ou será que só interessa copiarmos de lá os pacotes de remuneração para administradores?

Os ratos estão soltos na praça; sugiro que cada investidor/gestor crie a sua lista negra de insiders que assinaram termos de compromisso, uma seleção natural diante da passividade “monetarista” do xerife.
Abraços a todos e um bom final de semana,

Renato Chaves