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21 de setembro de 2012

Diversidade, sustentabilidade e “independentes” nos conselhos de administração: jogando conversa fora.

Pode parar, pode parar. Conselho de Administração é coisa séria.... Mas ainda tem empresa que pensa que a platéia é formada somente por bobos.
Já vimos que eleger economista famoso (ex-alguma coisa: ministro, presidente do Bacen, etc.) somente para apresentar cenários macroeconômicos e falar sobre os rumos incertos da humanidade pode dar problema, ou seja, processo na Rua Sete de Setembro (vide processo CVM RJ2004/5392). Se a Cia. quer uma consultoria econômica para a apresentação de cenários que contrate uma. É mais honesto e deve sair mais barato.
Já vimos até a eleição de consultora de moda para um conselho de administração. Muita gente boa defendeu, afinal se tratava de uma rede de varejo de roupas. Dizia o currículo da fulgurante senhora, devidamente depositado na CVM (pense numa mulher elegante formada em Sociologia e Política....): “é consultora de moda, possuindo uma longa trajetória no mundo da moda como jornalista, empresária, autora de livros e consultora de moda. Atualmente é conselheira do Instituto de Moda”. E só !!!! Não tenho nada a contra as consultoras de moda, muito menos contra jornalistas (e vinda longa para o bloco “imprensa que eu gamo” aqui do Rio), mas penso que o ideal seria constituir um comitê consultivo de moda e eleger tão nobre senhora como coordenadora. Mais simples impossível, até porque as ruas Sete de Setembro e Cincinato Braga definitivamente não fazem parte do roteiro da moda de Rio e São Paulo.
E quando a gente pensa que já viu de tudo surge um grande banco que, na ânsia de vender a imagem de banco mais verde do mundo sustentável/politicamente correto/responsável socioambioentamente ou seja lá mais o que for, elege uma proeminente ativista do 3º setor para o seu conselho de administração. Será que essa senhora, em sã consciência, se julga capaz de atuar como administradora de uma instituição financeira de capital aberto? Será que formação e a atuação como psicóloga, que “trabalhou como psicóloga de adultos e crianças entre 1981 a 1996” (informação extraída do Formulário de Referência), lhe permitirá monitorar as complexas atividades bancárias em tempos de jogatinas pan-americanas. Se a situação dos balanços está complicada até na outrora honrada Londres (manipulação da Libor e lavagem de dinheiro para iranianos e traficantes mexicanos só para citar os casos mais recentes), imagina na Faria Lima.
Por mais que existam seguros D&Os da vida eu pensaria duas vezes antes de assumir uma vaga de conselheiro de uma instituição financeira.
Só nos resta desejar boa sorte para a oligarca senhora e torcer para que nenhuma empresa escolha um conselheiro ao estilo deputado-palhaço só para agradar o respeitável público (sem qualquer comparação com os casos acima, por favor). E desconfio que se o combatente Chico Mendes fosse vivo ia ter head hunter pendurado na porta do avião tentando embarcar para Rio Branco.
Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

2 comentários:

  1. Belo artigo, Renato !
    E o que você acha da Lei 12.353, que obriga as empresas estatais a eleger um funcionário para o C.A.
    Não é mais um ato populista dentre tantos ultimamente praticados ?

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    1. Caro Odilon,
      Agradeço o seu comentário; quanto à eleição de funcionários para conselhos de administração não vejo a medida como populista. Na postagem de 20/3/11 defendi a Lei com conhecimento de causa, pois já atuei em conselhos com funcionário eleito. Resumindo, penso que as contribuições de quem vive o "chão de fábrica" são maiores do que o incomodo da administração de eventuais conflitos. Abs, Renato Chaves

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