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A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
Fiel ao compromisso com a transparência, o espaço pretende também funcionar como um fórum de estímulo ao ativismo societário (ou ativismo participativo), com foco na regulação para as empresas de capital aberto.

10 de dezembro de 2011

Os ITRs ajudam ou atrapalham?

No bojo da discussão sobre a redução do prazo para apresentação dos ITRs, recentemente alterado pela CVM (a instrução nº 511 manteve o antigo prazo de 45 dias), surge a discussão sobre os benefícios e possíveis malefícios da divulgação de informações financeiras intermediárias.
Devo admitir que (como diria Tim Maia: sou réu confesso), quando da discussão para construção da Instrução nº 480, fui simpático à ideia de redução do prazo para apresentação dos ITRs para 30 dias. Afinal, a alegação das empresas de que o prazo seria muito curto não parecia razoável diante dos enormes investimentos em informatização, especialmente nos modernos sistemas de gestão empresarial (os ERPs). Mas a observação atenda da realidade das empresas, especialmente daquelas que consolidam informações de empresas coligadas/controladas (algo muito comum), mostrou que as empresas participadas, muitas delas de capital aberto, utilizam legitimamente o prazo regulamentar até o limite, inviabilizando a elaboração dos ITRs por suas controladoras. Seria insano exigir um prazo de uma empresa que depende de outraempresa que utiliza a mesma regra/prazo.
E os benefícios e possíveis malefícios da divulgação de informações financeiras intermediárias? Não restam dúvidas de que o ITR possibilita ao investidor acompanhar mais de perto a gestão, mesmo sabendo que se trata de um relatório que recebe um tratamento de revisão limitada da auditoria externa, por exemplo. Por outro lado, dizem os críticos, a pressão pela divulgação de bons resultados de curto prazo, incentivada pela imprensa e investidores com atuação frenética no mercado, seria a responsável pelo desvio de foco dos executivos. Um sintoma dessa “anomalia” seria o “endeusamento” das reuniões trimestrais com analistas, onde os executivos gastam horas e horas explicando o desempenho de curto prazo, em detrimento das assembleias anuais, oportunidade única para discussões estratégicas com os investidores – e acreditem, tem CEO que nem aparece na AGO !!! Nessa linha, os investidores que analisam detidamente os fundamentos das empresas não compram ações olhando para resultados trimestrais, mas o fazem porque entendem que a estratégia de longo prazo, as perspectivas específicas do negócio e a qualidade dos executivos fará com que o preço da ação suba, sempre com uma perspectiva de 12, 18 meses ou até mais.
Resta saber se o mercado realmente dá valor aos ITRs. Sabendo que alguns mercados adotam relatórios quadrimestrais e ainda uma ideia que me foi apresentada reservadamente por um visitante habitual do Blog, que defende relatórios intermediários semestrais, surge a enquete de encerramento de ano para capturar a opinião do nosso grande público. Sei que analistas de bancos e corretoras vão torcer o nariz para o debate (inclusive meus amigos que trabalham com a maravilhosa vista da Baía da Guanabara), mas o objetivo maior do Blog é fomentar o debate....
Quanto ao prazo, a CVM demonstrou flexibilidade e sabedoria. Prevaleceu o bom senso.
Abraços a todos,
Renato Chaves
P.S.: mudar de opinião é aceitável, exceto quanto ao time de futebol (e viva o Glorioso Botafogo, sempre).

3 comentários:

  1. Caro Renato
    Recentemente escrevi um post sobre o assunto "A importância exagerada dada ao resultado trimestral" (http://www.valor.com.br/valor-investe/o-estrategista/1055548/importancia-exagerada-dada-ao-resultado-trimestral).
    Os ITRs são necessários, mas sua importância deveria ser mitigada.
    Abraço
    André Rocha

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  2. Caro André,
    Acompanho suas colunas no VALOR com grande atenção. Achei muito interessante a sua abordagem sobre o reduzido número de empresas que sofreram mudanças estruturais no curto prazo e a formação dos preços-alvo das ações. Certamente não será um resultado ruim no trimestre que fará o analista mudar de opinião sobre determinada ação, mas sim a percepção de que alguma variável relevante do negócio sofreu uma alteração significativa.
    Parabéns pelo seu trabalho de educação do mercado.
    Um abraço,
    Renato Chaves

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  3. Penso que não se pode falar em Governança Corporativa, sem que haja absoluto rigor na administração da empresa.
    Não quero provocar questionamentos, mas a trimestralidade é imprescindível.
    Afinal de contas, estamos em período de grandes volatilidades e os acionistas necessitam saber o quê de fato está acontecendo na empresa, em tempo real.

    Paulo Sier

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