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A proposta do Blog da Governança é estimular o livre debate em torno de tópicos atuais relacionados com o tema Governança Corporativa.
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6 de novembro de 2011

Quando o conselho fica “trancado” na luxuosa sala do 25º andar....

Os visitantes que responderam a enquete do mês de outubro reforçaram o sentimento de que a boa parte dos conselhos não interage com as respectivas organizações (39% nunca e 25% somente quando convidado). Quando muito conhecem os principais gestores (nem todos – o CFO e o controller certamente), além da simpática secretária que atende o conselho e a copeira que serve saborosos quitutes (se a reunião acontece em Salvador temos a garantia de ganho de muitas calorias). Ia esquecendo: por vezes a empresa coloca um carro à disposição do conselheiro, especialmente quando a reunião acontece fora da “base”. Uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais da organização, já que todo motorista adora conversar... Resumindo: o conselheiro entra pela garagem privativa, sobe pelo elevador privativo e fica trancado em uma sala privativa.... Fica parecendo cárcere privado.
Mas a tática de “isolamento forçado” também vale para os investidores. Em um passado não muito distante fui visitar a sede de uma importante indústria nacional, situada em uma cidade com pouco mais de 100 mil habitantes. Primeira surpresa: todos os diretores desfilavam em automóveis Mercedes Benz 0 Km (não anotei o modelo – fiquei anestesiado), verdadeiras “flechas de prata”, como manda o manual de boas práticas da marca alemã. Era uma frota, todos iguais para não gerar ciúmes....(dizem que ciúme entre homens é pior que ciúme de mulher). Bem que tentei convencer o nosso anfitrião a realizar a visita nos simpáticos carrinhos elétricos que estavam parados na porta da fábrica, mas não teve jeito: lá fomos nós, a 20 km/h em uma genuína Mercedes Benz prateada, uma cena patética. Afinal, naquela cidade a 1ª acelerada do bólido alemão já faria o carrão ultrapassar os limites do Estado.... Achei toda aquela pompa uma verdadeira afronta para a pequena cidade, até porque dispensei o convite para almoçar no luxuoso restaurante da cidade vizinha (um pouquinho maior - 500 mil hab.) e convenci o nosso pomposo diretor a almoçar no clube dos funcionários: um meio termo entre a cascata de camarões e o bandejão dos operários.
Caro conselheiro, você já participou de alguma olimpíada corporativa? Não? Pois não sabe o que está perdendo. Já participei, quando era presidente de certo conselho de administração, e não me arrependo. Exceto pelo jovem “sem juízo” que teve a ousadia de me vencer por 2 sets a 1 em uma disputadíssima partida de tênis(tenho testemunhas), tive a oportunidade de ouvir críticas e sugestões diretas, sem intermediários, potencializadas por gelados chopinhos. A sorte deles é que não levei o meu glorioso time de futebol de botão, pois seria uma barbada para o ex-campeão inconteste de toda a região da Freguesia da Glória.
Outro dia fui convidado a visitar uma indústria na região Centro-Oeste que passava por uma interessante transformação: mesmo não sendo uma empresa listada, ela estava criando um conselho de administração, com um conselheiro independente, para iniciar um processo de “profissionalização” da gestão. Estava lá para conhecer os sócios e, principalmente, o negócio. O tempo restrito para a visita, entre 10 e 16:30h, serviu como um ótimo argumento para convencer os anfitriões a trocar o almoço “cascata de camarão” pelo bandejão da fábrica. O tour pela empresa, comandando por uma simpática funcionária que conhecia bem toda operação mesmo sem ocupar um cargo gerencial, foi bem proveitosa, pois tive a oportunidade de conhecer detalhes sem qualquer tipo de filtro. A moça falava muito...
Pois bem, interação não é sinônimo de inspeção/fiscalização, e sim um momento perceber, sem filtros, como nasce e se desenvolve a cultura da organização. Não é à toa que, sentado na arquibancada para assistir a final do disputadíssimo torneio de futebol da tal olimpíada, ouvi a seguinte “pérola” de um divertido torcedor ao saber da minha “origem”: “Então o amigo é do conselho? Pois eu achava que o conselho era uma espécie de “entidade”, invisível, daquelas coisas de Chico Xavier.... É bom saber que tem gente de carne e osso pensando a estratégia da nossa organização”.
Pernas para que te quero: que tal programar uma atividade de campo, como participar de uma equipe de instalação na casa de algum cliente ou ficar uma manhã inteira “acampado“ em uma posição de call center como ouvinte?
Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves

Um comentário:

  1. Em tempo: vai acontecer na próxima 6a feira (11/11) na sede da Bovespa, um seminário sobre "Novas demandas internacionais em GC", com a participação do presidente do ICGN, entre outros. É gratuito, com inscrições pelo e-mail confirmacao@bvmf.com.br, e tem o apoio do nosso querido IBGC.
    Abs a todos,
    Renato Chaves

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