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9 de outubro de 2011

Senado da Holanda adota tablets para abolir o papel... Enquanto isso, no Reino Unido fabricante de papel enche o bolso de dinheiro.

Pois é, quem sou eu para criticar a escolha soberana de um povo que se dispõe a gastar quase R$ 100 milhões/ano para manter “inquilinos” em paláciosnababescos.

Mas devo admitir, concordando com os renomados acadêmicos Marco Becht (Universidade de Bruxelas), Julian Franks (London Business School), Colin Mayer (Saïd Business School/Universidade de Oxford) e Stefano Rossi (Stockolm School of Economics) em estudo publicado pelo European Corporate Governance Institute (ECGI) – Returns to Shareholder Actism, que o arcabouço legal britânico favorece a atuação de investidores ativistas. Nota 10.
Mas em compensação, em um claro contraponto à manchete de ontem no jornal Valor sobre a decisão do Senado da Holanda de abolir o uso de papel, a notícia divulgada no mesmo jornal em 6-7 de setembro (Reino Unido veta fim de cópias em papel – fl. D9) remete todo esse entusiasmo para salões palacianos e suas personagens “enfeitadas” no mais ridículo estilo rococó do século XVIII. Sob a alegação de que “foram levantadas preocupações com o fim das cópias em papel dos relatórios, que colocaria os pequenos investidores em desvantagem, uma vez que muitos deles são idosos ou possuem acesso limitado à internet” o Financial Reporting Council (FRC), órgão responsável pelo cumprimento das normas contábeis e de governança corporativa naquele reinado, sepultou a proposta que permitiria o fim da impressão e postagem dos relatórios.
Fala sério !!!! Um país com uma densidade de acesso em banda larga de 31% da população, comparável aos números da Alemanha, Suécia e Bélgica (e 6º país no mundo em nº de acessos - dados de 2010 do site www.teleco.com.br), não pode falar em dificuldade de acesso – parece um sacrilégio. Será que esses investidores esperam o jornal do dia seguinte para “saber” das cotações e decidir quais ações negociar? Será que eles exigem que suas posições sejam negociadas no pregão viva-voz, com boleta na mão do operador? Ou será que a nobre rainha é dona de uma fábrica de papel? Ou de uma gráfica? Não faz lembrar os enormes catálogos telefônicos impressos do século passado? (pergunta válida somente para visitantes com mais de 40 anos)
Conversando com o pessoal do Hermes, gestora dos recursos do fundo de pensão da British Telecom (BT), fiquei sabendo que a BT teve sérios problemas, em passado recente, para a remessa de seus relatórios anuais; tudo por conta do peso excessivo, que ultrapassava o limite permitido para cada carteiro. A solução foi contratar um serviço particular de entrega de documentos, com custos adicionais para a organização. A solução para o caso é bem simples: basta cobrar dos investidores que quiserem receber o relatório em papel. E bem caro.
Será que esses investidores são descendentes diretos daqueles sujeitos retrógrados do século XIX, que foram contra o uso do clorofórmio como anestésico em cirurgias por contrariar dogmas religiosos? (nota: a dor era vista como uma punição para os perversos e como purificadora da alma para os bons)
Pois é, ainda bem que o mundo evolui, caso contrário cirurgias continuariam a ser feitas, acreditem, com a explosiva mistura ingerível (?) de álcool e pólvora, que quase sempre matava o paciente minutos antes da cirurgia.
Não é de estranhar que a oferta pública de ações do poderoso Manchester United, que deve atingir US$ 1 bilhão, seja feita em ações preferenciais, sem direito a voto. Mas isso é assunto para outra postagem...
Abraços a todos e uma boa semana,
Renato Chaves
P.S.: acabo de ganhar um tablet de aniversário, que deve ter custado o dobro do preço praticado em Londres....Mas deve ser horrível morar em um país onde até o clima estimula o uso da internet.

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