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13 de março de 2011

Eleição de conselheiros, planejamento de sucessão, etc.... Uma breve reflexão sobre o poder dos investidores institucionais.

Se alguém ainda duvidava do poder dos investidores institucionais o recente movimento de mobilização capitaneado pelo fundo de pensão norte-americano CalPERS na assembleia de acionistas da gigante Apple mostrou a força de investidores ativos. A vitória obtida, que permitirá a eleição de conselheiros pela regra da maioria de votos, abre a possibilidade de alteração da regra de eleição em 58 importantes empresas listadas naquele mercado que ainda resistem à mudança; outros 2/3 das empresas listadas no S&P500 já adotam o sistema de voto majoritário. Devemos imaginar ainda que a eleição de um conselheiro alinhado com o pensamento estratégico da CalPERS levantará discussões sobre o processo produtivo da gigante de tecnologia, uma vez que, de tempos em tempos, surgem denúncias sobre a utilização de trabalho semi-escravo (confinamento e salários reduzidos levando a inúmeros suicídios) e de produtos nocivos à saúde dos trabalhadores nas unidades fabris chinesas.
Ainda que possa parecer algo simples – a eleição relacionada com o número de votos recebidos – o modelo anterior era visto por Anne Simpson, gerente de portfólio sênior de governança corporativa da CalPERS, não como uma eleição e sim como um processo de “coroação”, uma vez que a formação da lista de nomes a serem submetidos à assembleia anual nascia no conselho, com o velho vício de indicação de “profissionais de confiança” da Administração da Cia., sem interferência direta dos acionistas. A gerente da CalPERS é categórica ao afirmar que “é ridículo que, ainda hoje, uma empresa venha dizer não ser possível fazer isto ou aquilo” (matéria do jornal Valor Econômico de 23/02/2011 - Acionistas da Apple votam hoje mudanças na gestão). Quem tiver interesse em conhecer as regras do regulador norte-americano sobre o assunto é só acessar o link: http://www.sec.gov/rules/final/2010/33-9136.pdf.
Nunca é demais lembrar que esse mesmo fundo de pensão já foi responsável até pela mudança nas leis de um país, quando declarou em 2002 que estava deixando de investir nas Filipinas por considerar que a legislação não oferecia segurança para investidores. O reflexo imediato na bolsa local, com queda de 3,3% no dia da divulgação da notícia, e a perspectiva de ficar sem um importante fluxo de recursos, levou o embaixador do país nos EUA a visitar o fundo de pensão, num claro e incomum pedido de reconsideração (situação relatada no livro “Os novos capitalistas” de Davis, Lukomnik e Pitt-Watson – Ed. Campus/Previ).
Mas nem tudo são flores para a disseminação das boas práticas de governança corporativa: a proposta de instituir a divulgação do plano de sucessão na Apple foi derrotada. A discussão desse tema, inimaginável em nosso país, ganhou importância no mercado norte-americano com as recentes saídas dos principais executivos da Hewlett-Packard (HP), Pfizer e AMD, além do próprio afastamento do CEO da Apple por motivo de doença. Vale frisar que essa é a 1ª temporada de assembleias onde o tema pode ser pautado por acionistas, sendo que 30 empresas já adotaram a medida, como o banco Wells Fargo e a varejista Whole Foods. E vale a pena conferir o processo liderado pelos investidores institucionais Massachusetts Laborers' Pension Fund, The Tides Foundation, The Needmor Fund, e The Connecticut Retirement Plans and Trust Funds para inclusão de proposta na asembleia da HP (disponível em http://www.sec.gov/divisions/corpfin/cf-noaction/14a-8/2010/massachusettslaborers120710-14a8.pdf).
Só quem viveu a situação, com a internação de emergência de um CEO após um acidente doméstico, sabe da importância do planejamento de sucessão para todo o corpo diretivo. Mas infelizmente o tema ainda é tratado como tabu na maioria das empresas brasileiras.
Abraços a todos,
Renato Chaves

4 comentários:

  1. Esta matéria aborda a ação da Callpers - Creio que ser muito interessante as iniciativas desta entidade. Segundo a matéria abaixo eles editaram um relatório sobre 142 empresas identificando/nomeando as deficiencias Financeiras e de Governança Corporativa.

    A matéria;
    By Randy Diamond August 16, 2010, 3:31 PM ET
    CalPERS'
    “good governance campaign” has added value to the share price of targeted companies, a report by Wilshire Associates shows.
    The $211.4 billion California Public Employees' Retirement System, ……Wilshire, CalPERS' consultant, examined 142 companies on the CalPERS “focus list” from the beginning of 1987 to the fall of 2008. The list, announced annually, identifies companies with poor financial and corporate governance performance that will be the focus of CalPERS' shareholder activism for the year.

    Artur Neves

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  2. Prezado Artur,
    Muito bem lembrando. É outra ação da CalPERS com forte impacto no mercado. Agradeço a sua contribuição. Um forte abraço, Renato Chaves

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  3. Paulo Rogério Lima19/03/2011 11:58

    Caro Renato:

    Este assunto veio a calhar, pois será, provavelmente, tema do meu TCC no MBA em Governança Corporativa na FIPECAFI-USP. Bom, o ativismo societário é fundamental para o desencadeamento da melhores práticas de GC. Os investidores institucionais reúnem as melhores condições para desempenhar este papel, pois são investidores que precisam conhecer o mercado onde investirão, a legislação societária, as normas dos órgãos reguladores do mercado de capitais, os principais aspectos de funcionamento dos setores alvos e das empresas tidas como bola da vez e etc.. Neste sentido, estes investidores institucionais precisam, antes de tudo, ser bons exemplos de Governança Corporativa em sua própria gestão e colocar as melhores práticas (como muitos já vêm fazendo) como critério de escolha para o investimento. Independente de ter ou não um membro no Conselho de Administração, os investidores institucionais são importantes e indispensáveis gatekeepers das melhores práticas de mercado.

    Um grande abraço e parabéns pelos assuntos abordados.

    Paulo Rogério dos Santos Lima

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  4. Isabella Saboya22/03/2011 16:38

    Rentao,

    Acredito que quase nenhuma empresa brasileira tenha sequer pensado no assunto.....quanto acabar sua enquete, vou querer saber de quem respondeu sim, qual (is) é (são) a (s) empresa(s)...

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