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23 de janeiro de 2011

Quando uma assembléia ajuda a criar um novo negócio... O caso da GE

A assembléia de acionistas da gigante General Electric de 2002 é um excelente exemplo de como uma assembleia deve ser: um encontro onde o investidor, por mais insignificante que seja o percentual do capital social, possa interagir com os administradores da Cia., fugindo da mesmice, tão comum nas nossas assembleias, de aprovação burocrática das demonstrações financeiras anuais.
O exemplo, tão bem retratado no livro “Os novos capitalistas: A influência dos investidores-cidadãos nas decisões das empresas” (Stephen Davis, Jon Lukomnik e David Pitt-Watson – Ed. Campus/PREVI, 2008), nos revela que a solicitação de acionistas com participação infinitesimal na Cia. (fundos de pensão de várias ordens religiosas) de elaboração/divulgação de um relatório sobre as emissões de gases de efeito estufa e as medidas a serem adotadas para promover a eficiência energética e combater as mudanças climáticas, mesmo derrotada por influência do todo-poderoso CEO Jeffrey Immelt, obteve o apoio de 23% dos acionistas. E esse apoio, entendido como uma admoestação aos administradores, fez com que a proposta fosse analisada “com mais cuidado”. Os estudos revelaram, de forma surpreendente, que se a Cia. mudasse de curso e convertesse a eficiência energética em sua missão básica geraria receitas adicionais de pelo menos US$ 10 bilhões (são bilhões mesmo !!!) nos 5 anos seguintes. Por fim, a empresa lançou em 2005 um grande projeto, denominado “Ecomagination”, para colocar em prática a proposta das simpáticas freirinhas.
Fica a lição: além do desafio de construir encontros anuais que atraiam os investidores (por menores que sejam), com espaço para o debate com a Administração da Cia., devemos repensar a nossa regulação para facilitar a proposição de temas nas pautas das assembleias. Quem sabe assim não teremos bons exemplos como o das freiras da GE. Uma boa semana para todos nós. Abraços.

3 comentários:

  1. Leonardo Viegas24/01/2011 16:30

    Exemplo edificante. A propósito, Stephen Davis foi conferencista na Jornada Técnica de 2008 do IBGC em Washington; David Pitt-Watson, na JT de 2010 em Londres.

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  2. Caro Renato,

    Sem dúvida, o ativismo é muito importante para melhorar as relações entre investidores e gestores do capital. A Assembléia Geral 2010 da Natura foi um sinal alentador e evidencia que os investidores estão começando a se mexer. Mas ainda há muito a palmilhar para termos grandes eventos, no Brasil, do tipo que vem acontecendo na cidade de Omaha, estado do Nebraska onde, em ambiente festivo, o carisma e a sabedoria do ético guro Warren Buffet mobilizam multidão de investidores sob um apelo singelo e cativante: "Fazer negócios apenas com quem se conhece". A Assembleia 2010 reuniu cerca de 37 mil acionistas da Berkshire Hathaway, difícil até de se acreditar.

    Abraços e parabéns por mais um excelente texto.

    Wilton Daher

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  3. Prezados Leonardo e Wilton,
    Penso que o grande desafio é usar os bons exemplos para transformar as nossas assembleias em eventos positivos, não só de prestação de contas mas também de discussão dos rumos/planos de futuro. A próxima postagem será exatamente sobre o bom exemplo da Natura.
    Abraços,
    Renato Chaves

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